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É preciso ainda fazer trabalhar a ideia de que durante muito tempo ouvimos e compreendemos o outro antes, muito antes, de poder articular uma palavra. Muito antes ainda de poder articulá-las com sentido para nós mesmos e para o outro. E ainda muito antes de poder falar sobre o que falamos.

Bem, penso que essa passividade radical marcada pela escuta (já denunciada há muito por Plutarco) será recalcada como o é, em grande medida, as múltiplas formas da passividade da situação antropológica fundamental.

E qual é o principal retorno desse recalcado? Aí é q está: a recusa a ouvir o outro. É como se disséssemos: “vc que me obrigou a te ouvir, muito antes de meu eu estar lá… q me obrigou a te ouvir de tal forma a para sempre te ser devedor da palavra, bem, agora, não te escuto mais… me recuso. Falo como se nunca tivesse te escutado, falo como se a incompreensão fosse o principal da comunicação, falo para não ser compreendido, falo, enfim, para não ser escutado, tal como gostaria de não ter escutado nas origens, prova máxima de minha passividade excitante e angustiante”.