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pedra pluma

 

Eu quero falar do amor e também da democracia usando essa imagem. São coisas próximas, a gente sabe, o amor e a democracia. 

Ambos são leves, frágeis demais, mas conseguem carregar coisas enormes, pesadas, duras… conseguem produzir um equilíbrio entre o que são e estas outras coisas terríveis.

O amor é uma pluma: o desejo de ficar com o outro, de compartilhar espaços, de se reconhecer no outro, de permitir que o outro se reconheça em nós, de brincar junto, num tempo e num espaço que não é nem de um, nem do outro… É uma pluma isso… é leve demais… de repente, vem a pedra das diferenças, do que não faz interseção de jeito maneira… vem o ódio, vem o insuportável da alteridade, o desencontro, a violência… pedra, dura, dura, dura.

A democracia é uma pluma: o desejo de acolher as diferenças, de ser mais solidário, de criar um espaço de todos e todas, para que todos e todas possam existir em paz, sem serem agredidos por serem o que são. A democracia é uma pluma… de repente, a pedra da maioria, da homogeneidade, da indiferença, do apagamento das singularidades; de repente, a fúria dos que têm certeza; a vida fascista que quer se impor a todos, todas, tudo…

Entre a pluma e a pedra, vamos tentando construir um espaço habitável, algum lugar no qual possamos reconhecer a leveza e a dureza, a alegria e o horror. Mas como são frágeis essas gambiarras que inventamos para colocar as duas em equilíbrio… cai, levanta, equilibra de novo… e assim vamos, na balança, no balanço.