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Então, ela me disse isso: “minha imaginação é um crime”. Assim, sem mais, nem menos. Numa conversa virtual, fruto do puro acaso. Google, Skype, MSN. Oráculos pós-modernos, sabe? Mas, olha, as frases devem ser curtas. É… tipo assim. Pra causar suspense. Minha imaginação é um crime, ela disse. E nunca mais a vi. Fantasmas na webcam. Bons tempos aqueles das imagens distorcidas na minha Telefunken.

Uma velha Telefunken

Uma velha Telefunken

Eu juro: sempre pensei que Telefunken era japonês. Mas não. A gente se engana. Demorava um pouco pra esquentar. Ligava e esperava. A imagem vinha com um ruído. E quando desligava aparecia aquele pontinho de luz intensa que demorava a sumir. Poltergeist. Eu dizia polster. Devia imagina pôster, sei lá. Geist ainda não fazia sentido. Mal sabia o que viria depois. A gente nunca sabe, acho. Cara, essa frase me traumatizou. Minha imaginação é um crime.

Acho que não conseguia ligar o Atari nela. Ou conseguia? Não tinha aquela caixinha preta? A chavinha? Foi no tempo da Sharp? Acho que hoje não tem mais chuvisco-polstergeist, tem? Acho que não. Hoje é só a imaginação. Ou era antes também? Então, depois tinha o Corujão. Até as listas coloridas aparecerem, de madrugada. Fim da programação. Bons tempos aqueles. Havia um momento sem programação, imaginem. Incrível. Hoje? Minha imaginação é um crime. É isso mesmo. Tipo aquele cara do Poe, sabe?