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Na parte (7), do capítulo 4, de Totem e Tabu, Freud lembra que Orfeu pagou por um crime que não cometeu: a isso ele chama culpa trágica. Ele tenta ver nisso algo sempre presente na nossa relação com a lei. Nesse sentido, ele, mais uma vez, pede auxílio à literatura e cita Goethe: “Aquilo que herdaste de teus pais, conquista-o para fazê-lo teu” (Fausto, Parte I, Cena I). Sobre essa frase, ele quer lembrar uma questão fundamental para a psicologia social que a psicanálise toma para si: como se estabelece “a continuidade exigida pela vida mental de sucessivas gerações”.

E qual é a resposta de Freud? Que todos possuímos um apparatus que nos capacita a interpretar as reações de outras pessoas, que nos capacita a compreender inconscientemente nossos costumes, nossas cerimônias e nossos dogmas. Em outras palavras: é a partir do inconsciente que compreendemos o que é a lei. É preciso fazer trabalhar a frase de Goethe em muitos sentidos ainda. Como conquistar isso que herdamos de forma inconsciente? O que fazer da lei que herdamos à nossa revelia? Como torná-lo um pouco mais “nossa”?

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