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Silêncio? Será mesmo?

A performance de 4’33”, de John Cage, talvez mostre a impossibilidade do silêncio.

Há um poema, lindíssimo, de Gregório Duvivier, chamado “Escuta Só”. Vale a pena lê-lo:

num dia ensolarado, eu disse,
você pode ouvir o big bang até
hoje, eu li num jornal, até hoje,
é um barulho ensurdecedor, eu
disse, mas como é, você disse,
como é que não estamos ouvindo
nada agora, você disse, mas nós
estamos ouvindo ele agora, eu
disse, só não estamos escutando,
porque sempre ouvimos, desde
pequenos, mas se ouvíssemos
agora pela primeira vez seria
ensurdecedor, eu disse, e você
de repente disse, e eu nunca
me esqueci, disse que talvez por
isso as pessoas não se entendam
direito, por causa do estrondo,
e nós voltamos a ouvir música,
e ninguém disse mais nada.

(e eu pensei: talvez por isso
a música – para calar o estrondo)

[http://blog.7letras.com.br/2010/03/estrondo.html]

Pois bem, e quando a música se cala? E quando ela é silêncio e deixa ouvir o estrondo?