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Untitled

(Untitled – Gober, 1998-9, Guggenheim – NY)

O trabalho de Robert Gober parece falar sobre o trabalho humano. Um cesto sendo penetrado por um cano parafusado. São dois tipos de trabalho: um manual, outro industrial. Parece não haver contato real, apesar da penetração violenta. É o fim do trabalho manual, do trabalho com sentido. É a vitória do trabalho da máquina, do pedaço de ferro cujo sentido nos escapa. A articulação entre as duas peças parece impossível, assim como parece impossível a sobrevivência do mundo tradicional frente à violência da máquina e do ferro. A óbvia simbologia sexual também pode ser vista: não há relação social que escape a esta articulação com o sexual. A destruição do mundo tradicional não se faz sem sadismo. Uma escultura brilhante, pois muito simples e ao mesmo tempo muito complexa e eficaz na mensagem.

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Esta árvore, na rua Viçosa, em Belo Horizonte, é uma boa metáfora para se compreender a liberdade humana.

Winnicott diz que uma criança sem limites ficaria louca. Ela só se torna livre quando consegue ter para si consciência de seus limites. Não há liberdade se não há sujeito. Só há sujeito, ego, quando há limites. É a partir destes limites que qualquer movimento é sentido e se torna possível.

As grades que penetram a árvore são como os valores e a linguagem que vão possibilitar a sustentação do sujeito no meio no qual ele vive.

 

Vi um quadro em Vitória – ES, na Penha. Retrata um padre mostrando uma imagem (Nossa Senhora) para um grupo de trabalhadores, de crianças e para um homem sentado, ao lado de uma pequena fogueira.

Gostaria de tomar este quadro como uma metáfora da pedagogia clássica. Aquela que diz que o professor é uma espécie de padre, com acesso especial ao saber. Os alunos, nesta perspectiva, devem apenas esperar o professor “iluminar” suas pobres cabeças, cuja prematuridade ou incapacidade não possibilita acesso ao saber.

O padre-professor acredita que tudo sabe e não gosta de dialogar. Ele acredita mesmo que transmitir conhecimento pode acontecer sem diálogo e sem que o outro tenha acesso à sua própria experiência. Ele acredita que conhecimento é algo que se transmite, como uma gripe…

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(Clique na imagem para ampliá-la)

Mas há algo que lhe escapa:

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Um detalhe, um saber-outro. Que não pára, apenas escuta, em suspeita. Um “preto velho”, figura um tanto mítica, ao rés-do-chão. O fogo parece não pára de arder. Suponhamos que o fogo seja o que representa o saber deste preto velho, sua sabedoria de escravo, de velho, de gente acostumada ao chão, de quem realmente sabe que a transmissão do saber passa pela troca.

Só a partir deste lugar pode-se efetivamente resistir ao padre-professor. Mais do que suspeita. Mais do que não-entendimento. Mais do que não-escuta. Um outro saber.