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Vi um quadro em Vitória – ES, na Penha. Retrata um padre mostrando uma imagem (Nossa Senhora) para um grupo de trabalhadores, de crianças e para um homem sentado, ao lado de uma pequena fogueira.

Gostaria de tomar este quadro como uma metáfora da pedagogia clássica. Aquela que diz que o professor é uma espécie de padre, com acesso especial ao saber. Os alunos, nesta perspectiva, devem apenas esperar o professor “iluminar” suas pobres cabeças, cuja prematuridade ou incapacidade não possibilita acesso ao saber.

O padre-professor acredita que tudo sabe e não gosta de dialogar. Ele acredita mesmo que transmitir conhecimento pode acontecer sem diálogo e sem que o outro tenha acesso à sua própria experiência. Ele acredita que conhecimento é algo que se transmite, como uma gripe…

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(Clique na imagem para ampliá-la)

Mas há algo que lhe escapa:

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Um detalhe, um saber-outro. Que não pára, apenas escuta, em suspeita. Um “preto velho”, figura um tanto mítica, ao rés-do-chão. O fogo parece não pára de arder. Suponhamos que o fogo seja o que representa o saber deste preto velho, sua sabedoria de escravo, de velho, de gente acostumada ao chão, de quem realmente sabe que a transmissão do saber passa pela troca.

Só a partir deste lugar pode-se efetivamente resistir ao padre-professor. Mais do que suspeita. Mais do que não-entendimento. Mais do que não-escuta. Um outro saber.