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O ciumento, muitas vezes, se comporta como a criança que deseja exclusividade do amor dos pais. Algumas crianças se sentem angustiadas quando veem seus pais dando atenção a outras pessoas ou a outras crianças (os irmãos, incluídos). É como se ainda não conseguissem compreender que seus pais podem amar outras pessoas sem deixar de amá-las. Exigem uma permanência concreta do amor, como se o afastamento momentâneo colocasse em risco a própria existência da relação. O ciumento é apaixonado: a passividade que expressa diante de seu objeto de amor é de tal ordem que o faz imaginar que, sem esse amor, ele não seria ninguém.

O ciúme é uma das primeiras formas de simbolização do desamparo. O ciumento diz claramente: não ame ninguém para além de mim; sem seu amor, eu morro. Desamparo invertido e transformado num insaciável desejo de onipotência, onipresença e onisciência. O ciumento quer tudo do objeto. Quer ser o único a produzir alegria no objeto de amor, quer saber de tudo dele, quer estar o tempo todo presente. Numa palavra: quer ter poder total sobre seu alvo amado. O ciúme é como o amor dos que amam os pássaros apenas nas gaiolas. O ciúme é o contrário da liberdade: tanto para o ciumento quanto para o próprio alvo desse afeto. É estar aprisionado ao outro desejando fundir-se a ele. No limite, a única forma de controlar completamente o outro é se transformando nele. O amor enciumado tem uma viscosidade paralisante e mortífera para todos os envolvidos. Continuar lendo…

Larissa Bacelete foi minha aluna de introdução à Psicanálise, pelos idos de 2004. É dessas alunas que marcam nossa história, pois deixam claro que o desejo de saber fica ainda melhor na amizade. A amizade entendida aqui como uma relação amorosa que se assume marcada pelo acaso do encontro e pela força do desejo como única garantia do estar-junto.

Ao longo desse tempo, muitos grupos de estudo, muitos encontros, muita produção conjunta de saber. E agora temos o lançamento de um fruto maduro e precioso que é sua dissertação de mestrado em formato de livro:

Como já tentei dizer no Prefácio do livro, essa obra me parece indispensável para quem procura uma interpretação crítica da perversão. Próxima ao pensamento de Jean Laplanche e também valendo-se de outros autores (Bonnet, McDougall, Rousillon), Larissa nos apresenta uma hipótese brilhante sobre as origens da perversão. Contrariamente ao que o senso comum apressadamente conclui, o perverso não deve ser caracterizado como monstro ou radicalmente distinto de todos nós. Apontar para a história libidinal do perverso é fundamental não apenas para dar a esse arranjo psíquico uma possibilidade de escuta mais acolhedora e mais disponível para propor novos arranjos menos violentos, não no sentido moralizante, mas no sentido terapêutico naquilo que ele tem de mais precioso e ético. Continuar lendo…

É curioso… há algumas relações amorosas que depois de terminadas precisam ser retomadas para que terminem definitivamente.

Funciona como um estranho processo de luto e insight. É preciso ressuscitar o objeto que já sabemos morto, ter com ele, reviver ainda as mesmas desgraças que queríamos evitar. Até que, nesse segundo tempo, uma certeza se instala e acaba por matar aquela esperança cheia de veneno masoquista (“e se tentássemos ainda mais uma vez?”). O tempo das mãos limpas, de ter tentado no seu melhor conviver com o outro e reconhecer, definitivamente, um impasse, o impossível de qualquer interseção. Ou melhor, que a interseção se fazia no mal-estar, trazendo o que havia de pior em cada um dos parceiros.

Esse tempo não é apenas o tempo do término. É parte importante do recomeço, finalização de um luto que precisou ainda por um momento trazer de volta o que havíamos hesitado em sepultar.

Essa vivência parece ter uma outra dobra: na verdade, não é apenas desse objeto de amor atual que queríamos nos livrar. Ter vivido o término em dois tempos é um modo de dizer pra si mesmo que é preciso re-examinar uma relação ainda mais pretérita… Como se disséssemos para nós mesmos que há ainda algo do passado a ser resolvido. O insight é desse luto-com-a-presença-do-objeto é esse: é de grande alívio se livrar do morto atual, mas é ainda mais impactante reconhecer que não era esse o cadáver insepulto, mas um outro, cuja presença e influência no nosso fracasso amoroso só agora, através dessa penosa vivência, podemos reconhecer…

Olá, pessoal!

Reitero convite que fiz aqui aos alunos que já foram aprovados em Psicanálise I e II. A partir do dia 05/03/13, começo um grupo de estudos sobre o ciúme masculino. Também é sobre esse tema as 5 bolsas de iniciação científica voluntária que estou pedindo. Aos interessados:

O programa do grupo de estudos: http://www.fabiobelo.com.br/wp-content/disciplinas/grupodeestudosciume.pdf

E o projeto de pesquisa: http://www.fabiobelo.com.br/wp-content/pesquisa/projetociumenet.pdf

Fiquem à vontade para comparecer à sala 3003, na Fafich/UFMG, nessa terça, dia 5/3/13, para o primeiro encontro do grupo.

Numa análise, uma das coisas mais importantes que o neurótico obsessivo pode atingir é o reconhecimento de sua impotência. De maneira geral, o obsessivo é aquele que acredita tudo-poder, tudo-saber. Sua obsessão por organizar o mundo, dar sentido fixo às coisas, é sinal dessa onipotência de várias faces.

Giorgio Agamben recupera de forma exemplar a teoria da potência de Aristóteles para nos ensinar que só sabemos efetivamente de nossa potência quando podemos, efetivamente, poder não fazer. O exemplo é simples: o fogo pode apenas queimar. Ele não pode não poder queimar. Assim também é com a maior parte dos animais: podem apenas fazer o que determina sua potência particular: uma formiga não pode não-poder-fazer seus buracos na terra…

Nulla rende tanto poveri e cosí poco liberi come questa estraniazione dell’impotenza. Colui che è separato da ciò che può fare, può, tuttavia, ancora resistere, può ancora non fare. Colui che è separato dalla propria impotenza perde invece, innanzitutto, la capacità di resistere. E como è soltanto la bruciante consapevolezza di ciò che non possiamo essere a garantire la verità di ciò che siamo, cosí è solo la lucida visione di ciò che non possiamo o possiamo non fare a dar consistenza al nostro agire. (Nudità, p. 69-70)

Traduzindo, rapidamente: nada torna tão pobre e tão pouco livre como esse desconhecimento da impotência. Aquele que é separado daquilo que pode fazer, pode, entretanto, ainda resistir, pode ainda não fazer. Aquele que é separado da própria impotência perde, por sua vez, antes de tudo, a capacidade de resistir. E como é apenas o irritante [incendiário...] reconhecimento daquilo que não podemos ser que garante a verdade do que somos, também é só a lúcida visão daquilo que não podemos ou podemos não fazer a que dá consistência ao nosso agir.

Ora, o que Agamben, via Aristóteles, está tentando demonstrar é que alguém compelido ao fazer, que não consegue se distanciar do que faz, é pobre em liberdade. Nossa liberdade é sempre marcada por esse negativo de não poder fazer. Isso é como eleger Bartleby como um modelo literário dessa liberdade: preferir não fazer, como faz o personagem de Melville, é o início de toda liberdade possível. Na neurose obsessiva, preferir não fazer, finalmente, poder não-poder, é uma libertação.

Obviamente, não se trata de ir até onde Bartleby foi. Poder inclusive não-poder viver… A literatura, mais uma vez, mostra o que está em jogo, de forma muito radical: a vida, como um todo, é determinada por esse distanciamento de nossa potência. Reconhecer essa impotência, poder não fazer, vale para todas as tarefas da vida, inclusive para o próprio viver.

A compulsão do obsessivo – “ter que fazer”, “não poder não fazer” – acaba por transformar a pulsão num tipo de instinto. Aquilo que caracteriza a liberdade pulsional – poder ser e fazer sempre mantida a possibilidade de poder não ser e não fazer – é recusado pelo obsessivo. Ao longo de seu processo analítico, o que se busca é justamente um pouco mais de espaço para o reconhecimento dessa impotência que se confunde com a liberdade.

A liberdade pulsional, no limite, autoriza a plena contingência do que somos e fazemos. Humanos podemos matar crianças e adotar bebês na mesma proporção. Podemos fazer arte e guerra: ao mesmo tempo… Podemos prolongar a vida ou simplesmente suspendê-la. Pensemos na morte que desejamos e na que desejamos evitar.

Não seria também, no fundo, contra um terrível desejo de morte, que tudo desorganiza e confunde, que o obsessivo luta? Não seria por esse motivo sua compulsão a controlar a vida, no sentido de manter a vida viva, mais que vivê-la, de forma menos onipotente? O obsessivo é um Bartleby que luta contra esse desejo final de poder não ter que viver.

Lição expandida para todos: a vida que temos não tem que ser vivida necessariamente. Se esse pensamento, inevitavelmente, traz a sombra terrível do auto-extermínio, precisamos dele, no entanto, para mudarmos de vida, escolher outros caminhos. E só conseguimos mudar quando conseguimos reconhecer que não precisamos, que não somos obrigados, a continuar a viver como vivemos. Que há sim possibilidades – duramente conquistadas, fruto de muita elaboração psíquica – de poder não fazer, de poder não viver algumas formas de vida e de se autorizar, também no limite, a poder não saber o que nos espera.

Lua Adversa

Tenho fases, como a lua,
Fases de andar escondida,
fases de vir para a rua…
Perdição da minha vida!
Perdição da vida minha!
Tenho fases de ser tua,
Tenho outras de ser sozinha.

Fases que vão e que vêm,
no secreto calendário
que um astrólogo arbitrário
inventou para meu uso.

E roda a melancolia
seu interminável fuso!

Não me encontro com ninguém
(tenho fases, como a lua…).
No dia de alguém ser meu
não é dia de eu ser sua…
E, quando chega esse dia,
o outro desapareceu…

in ‘Vaga Música’, Cecília Meireles

Um dos meus poemas prediletos da Cecília. Há uma melancolia realista aqui? Meu ponto é: não concluímos depressa demais ao afirmar que, devido a esses tantos desencontros que temos uns com os outros, o melhor mesmo não seria apagar todo desejo de estar com o outro?

Ora, mas não poderia advir daí, dessa melancolia, de finalmente entender que ninguém é objeto de alguém (para ser sua, minha, tua, meu…), não poderia advir daí o desejo de estar com o outro muito mais do que entregar-se a ele ou possui-lo, apagando toda a alteridade do encontro?

Se pensarmos a partir da psicanálise, parece haver um ideal analítico no que tange ao amor: deixar cair a ilusão do encaixe perfeito, do encontro sem arestas… a ilusão de que haverá um “astrólogo” não arbitrário! Afinal, esse encaixe não faz referência, sempre, às simbioses mais primitivas que temos com a mãe? Um encaixe, esse sim e apenas esse, onde “eu sou teu e tu és minha, de tal forma que eu e tu sejamos um só a ponto de não haver mais nem eu nem tu”. Ideal romântico por excelência, onde está para sempre proibido o reconhecimento do desejo de não estar com o outro, de não ser por ele tutelado, proibido também o desejo de poder responsabilizar-se pelo que se é, proibida a alegria de poder inventar-se.

Deixar cair essa ilusão para entender que o amor é uma forma de estar (sozinho) com o outro. Que esse encontro só se sustenta pelo desejo de estar junto… mesmo com as arestas.

Nunca, nunca, porque os astros assim determinaram. Nunca, nunca, porque as almas foram feitas uma para outra. O lamento pela alteridade do outro – “que pena o outro ser de fato outro e não ser o meu objeto obediente!” – deve ser ultrapassado.

É preciso – maturidade do amor? – elogiar a alteridade do outro. Para aproveitar a metáfora de Cecília: o elogio da lua ao sol que, enquanto lua, não lamenta o fato do sol ser sol. Ao contrário: finalmente, poder reconhecer que é dele a luz que reflete nela, que a torna visível. Do outro lado, o sol deixa de lamentar que a lua não é um outro sol. Ele percebe é graças a ela que ainda uma parte importante de sua luz pode ser ainda vista à noite.

O outro nos salva de uma certa invisibilidade. Só nisso o outro é como nós: os dois estão cercados pela mesma noite. Abrir mão do outro – enquanto outro – é retornar para essa noite. Essa noite é o espaço e o tempo antes do reconhecimento do infinito descompasso entre o eu e o outro ser possível. Tão logo esse descompasso se torna possível, lamentamos o fato e desejamos voltar ao momento anterior. No entanto, só retornamos àquela noite se também abrirmos mão do que somos.

O nome do desejo de permanecer nessa noite, para a psicanálise, é melancolia. A verdade dessa noite, seu realismo, não implica – e não pode fazer concluir – que estamos sós. Um passo a mais, com Winnicott: estamos sós com o outro. Entender esse paradoxo é fundamental para esse leve, mas poderoso deslocamento: extrair dessa melancolia inicial algum lugar de sustentação nas relações amorosas.

Ser outro para o outro. Por um lado, lamentar não termos sido engolidos pelo outro; por outro, nos alegrar por ter escapado – também com o auxílio do outro – dessa devoração (a um só tempo mortífera e excitante). O caminho vai de se sentir “lua adversa” para se reconhecer como “lua diversa”. Divertere é separar-se. Talvez não seja mero acaso (de um astrólogo arbitrário…) que esse mesmo verbo dará origem também a divertir-se. Para poder brincar com o outro (brincar, para Winnicott, é um outro nome para amar), é preciso separar-se dele. E há sim muita alegria a se extrair daqui.

Imagem bem interessante de Igor Morski. Talvez nos ajude a entender algumas passagens de Winnicott sobre o papel do pai em fazer o holding ao lado da mãe. Mais que fazer o holding da mãe – ajudando-a, dando a ela a tranquilidade para fazer o holding do bebê – o pai faz também o holding… ajuda a remar o barco.

A imagem ainda traz a criança segurando seu ursinho, objeto transicional, isto é, aquele objeto que é muito mais que representação da mãe: representa o dentro-fora dessa relação, o transicional, o entre-lugar do amor. A figura de Morski é interessante também nesse sentido: reflexos que têm a consistência do real, algo submerso mas tão importante quanto o que está na superfície.

Uma questão: por que o bebê não aparece refletido submerso? Seria metáfora do tempo necessariamente distante da figura paterna típica? O pai trabalha, fica longe de casa, e perde o contato com o filho. No entanto, seu trabalho é ainda parte da sustentação do par mãe-filho.

Meu colega Daniel pede para que eu divulgue aqui o lançamento de seu livro. É o que se segue:

Travessia
Lançamento do livro “Travessia” no dia 19 de janeiro de 2013, das 11:00 às 13:00, no Café com Letras (Rua Antônio de Albuquerque, 781. Savassi, Belo Horizonte).

(Release escrito por Maria Elisa Rodrigues Moreira,
doutora em Literatura Comparada:)

Travessia: trata-se de uma obra ímpar, na qual Daniel Rocha Silveira tece, de forma sutil, a poesia com seus fazeres e leituras cotidianos. Seu texto-vivo, como o próprio autor o denomina, ecoa paisagens e personagens de distintos tempos e espaços, que o povoam e nele articulam reflexão e sensibilidade. Nele é possível ouvir “as vozes dos mortos”, como disse uma vez Jorge Luís Borges, o contista-poeta argentino que marcou gerações de escritores: no voo poético de Daniel, sobrevoa-se uma certa história da filosofia, da literatura, da psicologia e da própria poesia…
Nesse texto acumulam-se as dúvidas e anseios de uma vida que não cessa de se questionar, a todo o tempo, sobre o que está porvir; de um homem que se sabe constituído pelo que de mais prosaico lhe acontece, mas também pelo que de mais poético lhe atinge. A incerteza do devir e o risco que ele provoca deixam seu rastro na palavra desse poeta-viajante que conhece o mundo sem tirar os pés do chão.
Ao convidar o leitor a embarcar nessa viagem em sua companhia, Daniel Rocha Silveira propõe um percurso, indica num mapa sinestésico como “transmutar a dor em alegria”, como dialogar com o pensamento do outro, como combinar “os ingredientes, temperos, odores, cores e sabores” desse voo que é a poesia com o solo sobre o qual o ser humano precisa estar firmado. Brincando com as palavras, evidencia o quanto a poesia é lúdica e filosófica, indica seu papel fundamental para preencher o vazio existencial que o tempo provoca em todos, aponta possíveis caminhos para que o lirismo se manifeste mesmo nas mais improváveis situações.
O caminho está indicado, mas a sensibilidade do poeta sabe que a opção por segui-lo ou não independe dele, e que a leitura pode levar a outros voos, a outras trilhas, a outros solos, como bem indica seu “Espelho”:

Cabe a ti escolher,
entre caminhos que seguem,
muitos rumos;
e se (em)tornar
cego de alma,
ou andarilho de aberta ao infinito humanidade.
(A dádiva da liberdade.)

Jardim particular (texto de Rosana Varela sobre o livro Travessia )
“Tu, para onde irás?”, indaga-nos o poeta, referindo-se ao caminho a ser tomado para que possamos seguir em frente na travessia da vida. Umberto Eco, em Seis passeios pelos bosques da ficção, nos diz:
“Nada nos proíbe de usar um texto para devanear, e fazemos isso com frequência, porém o devaneio não é uma coisa pública; leva-nos a caminhar pelo bosque da narrativa como se estivéssemos em nosso jardim particular”.
Assim, o autor nos conduz por esse bosque de belas palavras, onde cada leitor encontra, ao final, seu próprio jardim. Por vezes, deparamo-nos com espinhos, obstáculos que a própria vida nos traz: “Danada demanda que a vida manda?
Ou graciosa oportunidade,
de transformar dor em maravilha,
entalhar sorriso, parido, sofrido?
Esse fruto da dor transmutada em ouro
– precioso tesouro –“.
Em seu livro de estreia, Daniel Rocha Silveira nos convida a “ouvir a voz que brota do fundo e da foz da alma”, através de uma poética leve e introspectiva, capaz de invadir os recônditos da alma e nos fazer transcender ao cotidiano – competência inerente aos grandes poetas.
“Sentido, sentido, onde estás?
(não és tu que perguntas
é a vida que a ti indaga)
Tu, para onde irás?”
Um convite nos é dado, para esta que promete ser a mais fascinante de todas as travessias:
“Cabe a ti escolher
entre caminhos que seguem
muitos rumos […]”.
Tomo a liberdade de reforçar o convite aos leitores, que assim como eu, almejam caminhar pela vida, esse “mistério multifacetado, caleidoscópio de infinda riqueza”, tão grandiosamente aqui representada por este talentoso poeta”

Entrevista: (Rosana Varela): “Pra você, o que é poesia e como se pode fazer a analogia com a imagem da travessia?”

(Daniel:)“A poesia traz muitos significados, mas para mim, em resumo, é um certo olhar, forma de se construir o contato com o mundo, um sensibilizar-se para a beleza que emana em vários prismas do cotidiano. Um brincar com as palavras, desconstruindo e construindo sentidos, um permitir-se mudar o foco do olhar lugar comum, na gestação de novas configurações linguísticas onde se coloca a possibilidade da harmonia e do belo que transmitem esperança e paz. Atravessar a vida de forma criativa é um ato poético. “Travessia” nos coloca na dimensão de uma peregrinação em direção a uma meta. Meta que é o sentido da vida, que pode ser encontrado a cada momento a partir de um posicionamento sensível e responsável, a partir da resposta dada às perguntas que surgem a cada momento, apontando para um projeto de futuro em horizonte matizado por harmoniosas cores. A imagem da Fênix na “Travessia”, utilizada para a capa do livro, brotou de meu inconsciente como símbolo da possibilidade de vitória e superação no caminho cotidiano. Pintei-a de forma intuitiva: no início, brinquei com as cores azul, vermelho, amarelo, alaranjado em vários tons; ao olhar para a tela, visualizei o pássaro nas diferenças de nuances, sem planejamento consciente; então delineei-o, explicitando-o mais claramente. O livro aponta para a superação na estrada do tempo, as poesias e a Fênix se confirmam, plenificam, dialogam, constroem. Fica o convite a degustar o processo de transformar a dor inevitável em possibilidade de alegria e leveza. Não se render ao sofrimento, mas torná-lo combustível na fogueira do crescimento pessoal. Após a tempestade vem a bonança. Respiremos juntos a esperança. (Daniel Rocha Silveira)”

(Maria Madalena Magnabosco, doutora em literatura comparada, UFMG:)

“A poesia de Daniel nos remete à própria etimologia da palavra poema, que vem do grego poiema, o que se faz.

Sua escrita traduz, como nos dizeres de Octávio Paz, um “organismo verbal que contém, suscita ou segrega poesia”.

À medida que constrói e desconstrói sentidos, o autor, sem o perceber, faz o trabalho de devolver o leitor a ele mesmo. Essa é a grande obra de Daniel: suscitar ou segregar a poesia latente no próprio leitor. Poesia que nos envolve nas sensações mais primárias, que nos devolvem tatos, sabores, imagens, sons; enfim, sensações e percepções sufocadas e esquecidas em um cotidiano que apenas repete comportamentos.

Em sua escrita, seja resgatando as vivências dos existenciais, seja transitando nos tempos líricos da infância, da música, seja reverenciando gratidão a escritores como Saramago, Poe, Meireles e outros, seja revelando a gratuidade da arte, Daniel nos possibilita o retorno às vivências mesmas. Fenomenologicamente ele nos lembra de que os mínimos gestos, as carícias das palavras, gestos, sons e cores se encontram nas significações, na intencionalidade com que agimos, pensamos, trabalhamos, sonhamos, nos encontramos e desencontramos neste mundo.

Neste sentido, a obra poética de Daniel faz ressurgir no leitor o desejo de se (re)conhecer no cotidiano, mundo em que somos, não como mero comportamento mas como uma ação que (re)significa. Afinal, poesia e poiesis são criações, são retornos a uma originalidade de ser criatura, isto é, de ainda poder além do dado e do dito que já não mais renova sentidos.

Em tempos onde o parecer tem prevalecido sobre o ser, sobre a sensibilidade que desperta novidades, a delicadeza de sua poesia nos faz um convite para realizarmos nossas travessias de modo mais humano:

A vida te desafia ao trabalho que alivia a dor,

Aceitas a proposta, com responsabilidade em calor?

Parabenizando sua coragem de ainda ser poeta, sinto-me honrada em participar desse encontro com o autor”. (Maria Madalena Magnabosco, psicoterapeuta e professora de psicologia existencial, doutora em literatura comparada, UFMG).
O AUTOR
Nascido em Belo Horizonte em 1974, Daniel Rocha Silveira graduou-se em Psicologia e pós-graduou-se em Psicologia Social pela UFMG, onde é hoje professor. Atua também como psicoterapeuta, com larga experiência nas mais diversas áreas. A literatura e as artes plásticas estão no rol de seus interesses desde a infância, e na escrita encontrou uma atividade importante que agora se torna visível com a publicação de seu primeiro livro, pela Editora Redemoinho.

MAIORES INFORMAÇÕES
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Daniel Rocha Silveira. Telefones: (31)93096305(31)25116968

Colocar trecho do Freud

Estava lendo alguns contos de fada para meu filho, Antônio, quando me deparei com o clássico “A Princesa e o Sapo”. Ao lê-lo, as imagens (retiradas do ótimo aplicativo para iPad, Tabtable Books) me chamaram a atenção. A primeira é a expressão de nojo da princesa:

A segunda é a cena clássica do beijo transformador:

E a terceira é a aparição do príncipe:

1. Pedagogia amorosa

Ao fazer uma pesquisa para escrever esse texto, qual não é minha surpresa de descobrir, através do indispensável Fadas no Divã (Corso & Corso, 2006), que a cena do beijo é uma adaptação moderna. Na verdade, a história dos irmãos Grimm nos conta que a princesa, não suportando o nojo de ter que conviver com o sapo, o joga contra a parede. E é isso que o faz transformar-se em príncipe.

Voltemos, porém, ao início. Trata-se de uma mocinha mimada que perde sua bola num poço. Um sapo diz que poderia pegar a bola, desde que ela o levasse para sua casa: comesse, brincasse e até dormisse com ele! Ela, mentirosa, diz que sim. Ao recuperar o brinquedo, a menina mimada corre pra casa descumprindo o acordo. O sapo vai atrás dela e narra o acontecido ao Rei. O pai da princesa, então, faz com que ela cumpra o combinado. Ela suporta jantar com o sapo e até brincar, mas é tomada pelo nojo ao ter que dormir com ele. E é aí que ela o joga contra a parede. Para sua surpresa, seu ato de rebeldia é recompensado com o aparecimento do belo príncipe.

A primeira interpretação de Corso & Corso salienta a perspectiva de uma educação sentimental:

O jogo erótico-agressivo evidencia que um pacto amoroso não é inicialmente pacífico, só depois que o sapo se tornou inconveniente ao extremo e a princesa totalmente intolerante é que eles descobrem o amor. A primeira marca não é de fascínio mútuo. Antes que o amor os torne sempre tão repetitivamente belos, eles terão que vencer a fera que há dentro de cada um. (Corso & Corso, 2006: 131)

Os autores lembram que a descoberta do vínculo amoroso leva os envolvidos a lidarem com as diferenças e essa proximidade repleta de atritos contribui para o caráter agressivo dos primeiros amores.

A segunda interpretação dos autores, leva em consideração a descoberta de Freud de que o ato sexual é compreendido como violento pelas crianças. Bettelheim (1980) lembra a semelhança entre o sapo e o pênis (p. 330) e Corso & Corso (2006) lembram que a princesa talvez tenha nojo do sapo, pois ele tem o “péssimo hábito de inchar e intumescer, como soe ocorrer aos órgãos sexuais quando excitados” (ibid.: 134). Ultrapassada a concepção infantil, a princesa poderá ver que o homem (e seu pênis!) não é tão asqueroso, mas um objeto de amor através do qual ela pode sentir prazer.

2. O desejo onipotente de mudar o outro

Gosto das interpretações de Betelheim e do casal Corso. Acredito, no entanto, que podemos ir além. Tenho duas interpretações que gostaria de compartilhar aqui pensando num fenômeno clínico descrito como esse mau encontro de um casal. O desencontro de se deparar com alguém com quem o sujeito deseja mudar. Essa é a primeira interpretação: tratar o outro como sapo é parte do meu desejo de mudá-lo com meus “beijos” – ou, como na versão mais antiga – com minha violência.

Ora, amar alguém, querer permanecer com alguém a quem desejamos modificar substancialmente… parece um desses momentos de irracionalidade que denunciam a presença de desejos e fantasias inconscientes em ação. Um racionalista diria simplesmente: se as diferenças entre vocês são tão grande, se, para ficarem bem um com o outro, um dos dois teria que mudar radicalmente, não seria melhor procurar um novo parceiro?

É claro que em toda relação amorosa há um intenso jogo de poder. Poder aqui compreendido no sentido mais amplo possível: o desejo e a ação de conduzir as condutas do outro, de exercer sobre elas domínio, controle ou forte influência. Do jeito de se vestir ao que dizer em público, das carícias à escolha do que fazer no final de semana. Tudo o que se faz é fruto de acordo, de concessão, de solidariedade ou, em casos mais explícitos, de controle e submissão.

Não é disso que estou falando. Falo da situação na qual o parceiro é visto como alguém intolerável ou como agente de uma ou mais ações intoleráveis. Pode ser um traço de caráter (é preguiçoso, é guloso, é workaholic…), pode ser um hábito ou vício (não transa tanto quanto gostaríamos, bebe demais, não consegue se desligar dos pais, não gosta das mesmas músicas ou dos mesmos programas de entretenimento…). Estou enfatizando esses casos nos quais a velha e boa “conversa sobre a relação” não opera mais nenhum efeito. A situação limite na qual nos vemos efetivamente casados com um batráquio. Isso serve para qualquer relação amorosa: entre pais e filhos, entre namorados e também para muitas relações de trabalho. Uma situação da qual queremos nos ver livres, mas na qual, mesmo assim, permanecemos.

Não poderíamos ver aí, do lado da “princesa” (obviamente, isso vale para ambos os sexos), um desejo onipotente de transformar o outro? Não é isso que vemos naqueles que começam um relacionamento movidos pela esperança de que o outro vai mudar? Bruno Bettelheim situa a mocinha da estória do lado do princípio do prazer:

Ainda dominada pelo princípio do prazer, a mocinha faz promessas para conseguir o que quer, sem pensar nas consequências. Mas a realidade se afirma. Tentar fugir dela fechando a porta para o sapo. Mas o superego, na forma do rei, entra em cena: quanto mais a princesa tenta ir contra as solicitações do sapo, tanto mais o rei insiste em que ele cumpra suas promessas integralmente. O que começou na brincadeira torna-se sério: a princesa deve crescer à medida que é forçada a aceitar os compromissos que fez. (Bettelheim, 1980: 328)

Duas observações aqui: (1) há algo de infantil no desejo de mudar o outro; (2) e, como no conto de fada, aquele que deseja mudar o outro parece dependente dele: seja para pegar a bola no poço, seja porque se sente compelida a permanecer com o outro. (Mais uma vez, a leitura feminista poderia nos alertar para o sadismo desse pai que não propõe nenhuma solução de compromisso com o sapo: você pode até brincar e comer com ela, mas só dorme com ela, se ela quiser…)

3. Com a outra ele vai ser príncipe!

Uma fantasia típica nessas “princesas” é que, quando finalmente conseguem terminar a relação, imaginam que seus sapos serão príncipes com o próximo cônjuge.

O “osso duro” finalmente se transformará em macio filé. Não será, entretanto, para o deleite de quem amargou tanta dureza! Será para a outra!

Ali, onde havíamos pressentido a fantasia onipotente de mudar o outro, agora, observamos a falência do eu, sua máxima impotência, corroído pela inveja do terceiro que granjeará todos os encantos do objeto a nós recusados!

A repetição de relações amorosas desse tipo apontam para uma incapacidade de integrar em si mesmo e no outro aspectos bons e maus. Um dos primeiros mecanismos de defesa, a cisão, separa o bem e o mal de forma muito radical. Melanie Klein e Donald Winnicott apontam como sinal de desenvolvimento psíquico uma maior integração desses elementos:

Se o desenvolvimento transcorre favoravelmente, o indivíduo torna-se capaz de enganar, mentir, negociar, aceitar o conflito como um fato, e abandonar as idéias extremas de perfeição e do seu oposto, que tornam a existência intolerável. O compromisso não é uma característica dos insanos. // O homem maduro nem é tão bonzinho nem tão desprezível quanto o imaturo. A água no copo é barrenta, mas não é barro. (Winnicott, 1990: 160)

O compromisso não é uma característica dos insanos… e nem das crianças imaturas. Aceitar que temos e que o outro tem defeitos, que todos nós somos uma espécie de sapríncipes… é sinal de que as fortes cisões que nos protegiam no início da vida já não são mais necessárias. Isso não quer dizer que devemos aceitar tudo o que incomoda em nós mesmos ou nos outros. É claro que é possível mudar algumas coisas. O que estou sugerindo é que esse desejo de mudança (1) não deve partir de uma exigência idealizada; (2) deve ser mais aberto aos matizes e ao “barrento” da vida cotidiana e (3) não deve se balizar por valores universais muito abstratos (lembrar que, para alguém que deseja ser sapo, a princesa é uma chata), isto é, levar em consideração que cada um vai se arranjar como pode (de forma singular) diante desses ideais de perfeição.

4. Complexo de Édipo como matriz amorosa

O Complexo de Édipo ainda continua a ser uma importante referência para compreendermos a vida amorosa. Por Complexo de Édipo, compreendo todo o conjunto de relações amorosas que temos com os adultos que cuidaram de nós nos primeiros anos de vida.

No caso da fantasia de ter se casado com um sapo e ter que passar pelo suplício de transformá-lo em príncipe, encontramos uma explicação na triangulação típica do Édipo. Temos que convencer um dos cônjuges a mudar radicalmente de posição: um dos pais deve deixar o lugar de pai e trocar de posição com o filho. É como se o filho, por exemplo, pedisse à mãe para mudar: seja minha mulher e façamos desse terceiro um outro qualquer! É como se a filha pedisse ao pai: seja meu marido e largue esse vício que é minha mãe!

O recalcamento de nossos desejos incestuosos se encarrega de colocar sobre todos esses desejos incestuosos o manto do nojo e do asco. Aqui, o conto de fada é preciso ao fazer do parceiro um sapo. É disso que se trata: beijar esse sapo seria nojento demais, horrível demais. Desejar transformá-lo em príncipe requer uma mudança radical, muito além do possível.

A mesma matriz edípica explica a fantasia pós-término. De fato, é assim que acontece: o pai prefere ficar com a mãe, a mãe permanece com o pai. É como se a criança pudesse dizer: “por mim, ele não mudou, mas com (ou por) ela, ele muda!”.

Espero que o leitor compreenda aqui que estou sendo didático. Não é preciso um pai e uma mãe para haver Édipo. Nem casamento heterossexual típico. Basta haver esse cuidado de um ou mais adultos endereçado à criança. Basta que a criança possa tomar esses adultos como alvo de seus desejos. Diante disso, a repressão – a começar pela recusa ao incesto – e o recalcamento desses desejos fecha a cena edípica.

O que é importante nessa primeira interpretação é guardar o caráter onipotente, tipicamente infantil, que vemos nesse desejo de acusar o outro de sapo, de querer mudá-lo. Percebam que há também uma boa dose de sadismo aqui: permanecer com o outro e passar o tempo todo demandando que ele mude, que ele se emende, que se corrija, não deixa de ser sádico, principalmente, quando o sujeito conta com o álibi social de que o que é demandado é a correção de um vício ou hábito socialmente menosprezado.

5. O sapo e seu brejo

Se há sadismo em criticar o outro permanentemente, em não saber conviver com os “defeitos” que nos incomodam… há também masoquismo.

Antes do moralismo, da pedagogia sentimental, da onipotência de tentar mudar o outro, há o masoquismo de se desejar permanecer com o sapo, de permanecer em seu brejo fétido.

Ao contrário do que aparece na consciência, o sujeito não quer que o outro mude. É seu manancial de sofrimento, sua fonte inesgotável de dor. A experiência da passividade devidamente garantida: o outro nunca vai mudar, sempre vai me fazer sofrer e eu sempre vou poder acusá-lo disso. Um duplo ganho! O masoquismo de permanecer no brejo das diferenças radicais e o sadismo de poder acusar o outro de me fazer sofrer e de ser “errado”.

As raízes desse masoquismo são pré-edípicas. Antes talvez da entrada de um terceiro ou de alguém que pudesse competir com a díade formada entre o bebê e sua mãe. A passividade experimentada pelo bebê junto à mãe é, em grande parte, prazerosa. Ele pode, quando estamos diante de uma mãe suficientemente boa, se entregar a ela tranquilamente. No entanto, quando essa mãe não é boa o suficiente (está deprimida ou preocupada demais, p.ex.), esses momentos de passividade são sempre traumáticos e precisam de elaboração posterior. Uma forma de elaborar esse trauma é revivendo essa experiência, como num experimento controlado. É como se quiséssemos reviver uma situação de acusação-e-demanda com uma mãe que sempre deu insuficientemente ou precariamente ou venenosamente… Um parceiro “errado” cumpre bem essa função. Queremos, inconscientemente, convencer nossas mães de que elas estão mesmo erradas e que devem deixar de ser sapas e se transformar em princesas generosas… A grande questão é que esse tempo já passou e que o recalcamento desse tempo pré-edípico fará seu retorno nessas relações amorosas mortíferas e repetitivas, nas quais nos sentiremos dependentes do outro (só o sapo sabe pegar a bola de dentro do poço!), um outro ao qual o tempo todo desejamos mudar de forma radical.

É bem possível, como acontece na histeria, que, se o outro mudasse e finalmente se transformasse em príncipe, o sujeito em questão arrumaria um outro sapo. A questão não é esse parceiro específico, mas a parceria (e a parceira) inicial. É essa demanda que tem que ser formulada e renunciada ao longo de uma análise. Querer apenas o seio bom e não reconhecer que ele é o mesmo que o seio mau, exigir que o objeto de amor seja todo-bom, é a receita para o sadomasoquismo. Por isso é, muitas vezes, tão difícil terminar relações amorosas desse tipo. Admitir nosso sadismo e nosso masoquismo já é complicado. É ainda mais complexo renunciar aos prazeres daí provenientes e dar a eles outros destinos.

Duas tirinhas que indicam um pouco desse acolhimento dos matizes do amor:

Não precisamos aceitar tudo o que vem do outro… principalmente se for “over”. O outro não é também obrigado a aceitar tudo o que vem de nós…

E muitas vezes, o melhor a fazer é deixar o siri (o sapo… curiosa animalidade do outro-indesejável) tal como ele está.

Referências

Bettelheim, Bruno. A psicanálise dos contos de fada. Trad. Arlene Caetano. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1980.

Corso, Diana Lichtenstein & Corso, Daniel. Fadas no divã: psicanálise nas histórias infantis. Porto Alegre: ArtMed, 2006.

Winnicott, Donald. Natureza Humana. Trad. Davi Litman Bogomoletz. Rio de Janeiro: Imago, 1990.