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Sobre a corrida: 

“Comecei, mas posso não terminar.”

“Comecei, mas não posso terminar.”

O lugar do não e o verbo com o qual ele faz par, estamos a ver, é determinante.

É curioso… O não parece marcar muito mais o sentido que o sim. Pense – à la Wittgenstein – quais os usos da palavra “sim” e quais os usos da palavra “não”.

No seu texto sobre a negação, Freud lembra bem: o não marca o lugar o desejo: “Não é minha mãe!”

O sim expressa ênfase: “quero sim”, “claro, vamos sim”. Expressa prontidão: “Sim?” [no sentido de "pois não?" (sic!)].

O não da criança talvez seja a primeira forma de expressar a diferença entre o seu desejo e o desejo da mãe. Pense na anorexia seletiva da criança: “não, cebola não!”.