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Fenômenos psíquicos dificilmente conhecem fronteiras claras. Mal um termina o outro já está começando. É o caso do conjunto de fenômenos ligado à demanda: o pedido, a reclamação, o queixume, o desejo…

Diz Lacan que a única demanda que temos a demanda de amor. Talvez, possamos imaginar que todo o resto são variações – neuróticas, perversas e psicóticas – dessa demanda.

Um tipo especial é a reclamação. Ela se divide em duas: uma ligada à cobrança de seus direitos, ao posicionamento do sujeito frente às suas feridas narcísicas; e outra ligada à pura queixa, que se repete infinitamente, como aquele famoso personagem de desenho animado, uma hiena que dizia sempre: “oh, vida, oh, azar…”.

Notemos a imagem abaixo:

reclamação: um certo tipo de neurose

É o caso do sujeito (fumante, claro…) que diz: eu vou me enforcar, a vida é ruim demais, nossa, cruz credo, oh, azar… E vai, assim, regando, bem vagarosamente, a árvare na qual amarrou sua forca frouxa. Enquanto isso, acende seu cachimbo…

Não seria esse tipo de reclamação um tipo de pedido de amor? Mas, por que ele toma essa forma? Por que ele se apresenta assim como impossível?